"Alma não tem cor... Porque eu sou branco?
Alma não tem cor... Porque eu sou preto?
Branquinho, neguinho
Branco, negão
Ela é colorida, sim
Ela é multicolor..."
(André Abujamra)
"Alma não tem cor... Porque eu sou branco?
Alma não tem cor... Porque eu sou preto?
Branquinho, neguinho
Branco, negão
Procurando receitas pela internet (após aquela compra do mês cheia de novidades para testar na cozinha)... começa a dar aquela famosa boquinha nervosa. Vendo tantas coisas gostosas, não tem como não querer comer! Aff.
E se tem uma coisa que eu adoro neste momento é macarrão! Rápido e a cada vez que faço, mais gostoso (depende da fome). Geladeira cheia mas a vontade é básica... macarrão alho e óleo. Hmmm, eu adoro! Cebola, alho, meio tomate, muita azeitona, salsinha, molho inglês e azeite. A mistura sempre dá certo e vontade de repetir. O molho inglês desta vez, foi devido à lariquinha, mas caiu super bem! Ficou uma delícia!!!!
E agora, super satisfeita, volto as receitas... que amanhã tem Salmão ao molho de manteiga e alcaparras. Sou louca por salmão!
Entre casa, trabalhos, encomendas, promoção, aconchego nos braços do maridão, bobagens na tv, muita chuva, cervejinha, tidir e provas de inglês e fonética, o momento de off total do fim de semana foi curtir a animação mais fofa que já vi na vida: Wall-E. Precisava deste momento de inércia.
Eu bebo, como e durmo com eles. Durkheim, Marx, Saussure, Bagno, Acízelo, Tosi e Mattoso. Difícil não conceituar a vida... a minha vida. Rodeada de preceitos, linguística e toda dialética. Posso dizer que por alguns momentos quero esquecer e deitar-me sem nenhum fluxo de pensamento, mas no fundo... lá no fundo da minha consciência, eu sou todos eles.
Cada dia mais apaixonada pela senhora do cabelo cor de sabedoria:
"O transe poético é o experimento de uma realidade anterior a você. Ela te observa e te ama. Isto é sagrado. É de Deus. É seu próprio olhar pondo nas coisas uma claridade inefável. Tentar dizê-la é o labor do poeta."
Prado, Adélia.
"Se não entendo tudo, devo ficar contente com o que entendo. E entendo que vejo estas árvores e que tenho direito a minha língua..."
Ribeiro, João Ubaldo.
Das palavras ela vem, me acode e me espreme em agonia e ansiedade de ser. Vêm como um turbilhão de ideias e com vontade própria. Daquelas que não se cozinha, não se amorna, nem se faz esperar. É bem daquelas que amassa o peito e rasga os pulmões de ar. Um ar de tanta força que chega a faltar fôlego para entender o que há de ser todo este turbilhão efêmero e desesperado.
Será ela que está toda prosa e cheia de si? Ou serão as palavras que saem das folhas amareladas e que tanto a fazem espirrar? Depois de tanto tempo, ela se sente viva novamente em meio a seu mundinho-mundano. Ela se reencontrara com tudo aquilo que sempre foi, mas que deixou em pedaços largados e tristes, por todo caminho.
De fato chegara longe, sim, ela tinha futuro e é toda cheia dele. Mas correu tanto e foi tão longe que esquecera dos pertences e das partes do corpo que ficaram para trás dos sonhos. As partes agora se juntam e dançam como se recitassem um poema de Drummond ou coisa assim. Estavam todas felizes e cheias de tudo aquilo que era tão forte e belo, que nem ela conseguira descrever.
Eram as palavras que a encontravam novamente. O cheio de lembrança do livro que abrira. Os vincos das folhas que teimavam em ficar. O amarelo que espelhava seu rosto ansioso e eufórico. Eram das palavras simples, da prosa e do verso que ela degustava seu doce deleite... em ser tudo aquilo que sempre foi, que sempre será.